Total de visualizações de página

quarta-feira, 14 de março de 2012

Uma noite de verão com chuvas de inverno 


Eu sei que para sempre não existe,
Mas fiz valer a cada minuto daquela noite.

Janeiro de 1969.
Estávamos deitados na grama olhando para o céu naquela noite quente de verão ela olhava pras estrelas e eu olhava pra ela. Ali naquela hora, segundo e minuto eu era a pessoa mais feliz do mundo, não me importava mais nada, só me bastava ela. O céu sobre nossas cabeças fazia nosso teto e as estrelas nos proporcionavam um magnifico show de estrelas cadentes que migravam no céu, a grama macia fazia- se nossa cama e ela fazia meu mais ambicioso sonho. Falavamos de tudo, das estrelas, de musica, de livros e ate sobre os carros do ano. Ela me falava do seu dia e devaneava em teorias de como as pessoas eram cruéis umas com as outras e eu a acalentava dizia que não era bem assim, mas eu não podia fazer nada, ela era hippie e estava na sua natureza não a contestava deixava que botasse tudo pra fora, todos os seus sentimentos e pensamentos. Começei a brincar com seus cabelos meio louros meio ruivo e com umas contas de bolinhas que caiam de sua bandana amarrada na testa, ela me olhou com os olhos brilhantes e um pouco marejados sob a luz da lua ali pareceu- me um sonho toquei sua face e ela deixou- se levar pelo meu toque fechando os olhos e sorrindo aproximei- me de seus lábios e deixei que ela tocasse os meus com os seus, derretendo um beijo profundo e suave. Ela olhou- me nos olhos e proferiu- me amor eterno e com um beijo selamos nosso juramento um ao outro. Parado a tempo fiquei admirando sua singela beleza, tão pura, tão doce como um néctar de uma flor, a mais bela flor. Quando um súbito desejo esquentou meu coração e invadiu meu corpo, eu a desejava mais do que nunca, tão doce, tão pura, eu a amava e a queria só pra mim e ali eu a possui.

Aquela noite, A minha vida...
Mudou o rumo Completamente.

Anos Antes
Eu estava indo para um acampamento de um amigo, sair um pouco da rotina, distrações, uns dias no campo seria bom.
Quando cheguei, o campus estava repleto de jovens, todos com suas camisas da paz e aquele oculozinho que os Beatles usavam. Mal desci do carro e logo reconheci aquela voz calorosa que me recebia com um jorro de boas vindas relaxado. Era o Lennon um amigo de infância e um dos meus melhores psicanalistas grátis, estava de braços aberto ao meu lado pronto para me dar um arroxo ao que ele chama de abraço, fazia um ano desde que nós havíamos nos vistos, ele não mudara nada ao contrario de mim que segundo ele estava mais forte em outras palavras mais gordo. É o trabalho respondi- lhe sorrindo. Disse- me que eu precisava largar esses atributos materiais e fúteis que a sociedade me fazia ter, fomos caminhando e ele mostrando- me o lugar quando ela parou bem na minha frente com aqueles olhos escuros como a noite fitando o meu rosto e abriu um sorriso na face, voltou- se para Lennon e pulando em seus braços o envolveu num abraço ­­– “John essa aqui é Elena ela é o jasmim do meu jardim”- e dizendo isso ele a beijou não sei por que, mas aquilo me provocou um enorme incomodo eu nem a conhecia, balancei minha cabeça e afastei aqueles sentimentos de mim os levando junto com os olhos- “Elena termine de mostrar o lugar ao John”- ela concordou acenando com a cabeça meio melancólica-“vem vamos”- disse por fim, ela falava de tudo e de todos, mas eu nem assimilava coisa alguma, só ouvia o som da sua voz o que dizia? Não sei, eu estava enfeitiçado por aquela mulher, andamos ate chegar numa praia e ela parou. Ela admirando o horizonte e eu a ela. Observei atentamente a cada detalhe daquela imagem até que ela me olhou fixamente, ficamos ali parados um olhando para o outro não dizíamos nada e nem precisava de palavras nossos corações falavam por nós batendo cada vez mais rápido em ritmo desacelerado quando enfim ela sentou-se num montinho de areia e voltou a olhar o mar afora, eu sentei ao seu lado – “bonito o mar não é?!”- perguntou- me e apenas lhe respondi com um aceno de cabeça e ficamos a conversar...

Depois do dia em que nos conhecemos,
O rumo de nossas vidas mudou drasticamente...
Conflito

Encontrávamo-nos às escondidas e passávamos horas juntos, a parede do meu quarto estava amarrotada de pinturas e desenhos dela, até que descobri que ela tinha alguém e que este era o meu melhor amigo, não suportei saber que eu havia traído nossa amizade. Infelizmente ele já havia descoberto nossa traição, o vi discutindo com Elena enquanto saia do meu quarto, ela estava gritando com uma voz eufórica e lagrima nos olhos, o que ela disse a ele eu jamais saberei, quando ele me viu não pensou duas vezes antes de me atingir com um soco no rosto, -“Lennon, o que foi? Porque fez isso?”- cambalei um pouco pra trás meio tonto com a pancada, -“o que foi isso?! Isso foi pela Elena, seu filho da mãe”- logo me recuperei e devolvi-lhe um golpe que pegou na sua mandíbula forçando um deslocamento, pelo menos aquelas aulas de taekwondo haviam me servido para alguma coisa, descobrira mais tarde que o real motivo da briga é que a Elena estaria gravida e ele não a tinha tocado apenas eu, ele sabia o tempo todo só não acreditava nessa possível realidade, ele fora tão enganado quanto eu, não sabíamos um da existência do outro, o que pretendia ela? O que ela contara a ele? Mas naquela hora Lennon estava irreconhecível, cego de raiva e decidido a acabar com a minha vida, sacou uma arma e sem hesitar atirou antes disso Elena prevendo esse feito temeu por minha vida gritou um esbravejado “não” e se pôs a minha frente o tiro acertou seu peito e ela ali morreu nos meus braços olhando fixamente nos meus olhos marejados de lágrimas que escorriam sem minha permissão, soltando um ultimo suspiro e lagrima ela proferiu – “É a você que eu amo John”- e a vida deixou o seu corpo, desnorteado fiquei ali a abraça-la uma dor rasgava-me o peito toda a minha vida tinha ido junto com ela, Lennon perturbado sofria tanto quanto eu pela perda e chorava como criança num canto da parede, eu cego pelo ódio peguei a arma o arrastei para o outro lado da sala não lhe disse uma palavra não precisava ele sabia o que estava por vir e eu o mandei direto para a morte. Era uma noite de verão e naquele momento de dor inexplicável e sangue eu enfrentei meus maiores temores, uma noite de verão que choveu como inverno.

Conto escrito por: Lunne Lenne

Nenhum comentário:

Postar um comentário