Total de visualizações de página

quarta-feira, 16 de maio de 2012


Morto mas livre...

Ouço a voz do silencio...

Ele pede para que eu me acalme que eu simplesmente fique calmo e espere...
Mas estou agitado demais para simplesmente acalmar-me agora...
Os meus batimentos cardíacos estão acelerados, parece que vai sair pela minha boca rasgando tudo que estiver na frente...
Mas não sei por que eles estão ficando cada vez mais longe de se sentir...
Venho lutando contra mim mesmo há séculos...
Tenho lobos famintos dentro de mim...
Lobos diferentes um do outro, eles não se gostam...
Evito colocar um de frente para o outro, más o habitat dentro de mim esta cada vez menor...
E a fome deles só aumenta...
Um se alimenta de alegria, sorrisos, abraços e olhares sinceros...
O outro alimentasse de amor,companheirismo e lealdade...
Comecei a alimenta-los com ódio, dor, amargura e tristeza...
Eles ficaram mais fortes, mas ficaram mais sanguinários...
Mas agora eles querem mais, eles querem devorar o seu próprio dono...
Não tenho saída... Não tenho saída eu acho...
Estou aqui encurralado por eles. Estão sedentos de sangue...
Já me mataram varias vezes com seus olhares diabólicos...
Talvez eles queiram me devorar para enfim da um ponto final nessa vida que eles levam de cães domesticados...
Mas não tenho culpa de tudo isso acontecer, os recebi sem ao menos alguém perguntar-me, se eu os queria...
Sinto a dor que eles sentem de serem apenas animais de estimação...
Mas não posso mais levar isso adiante...
Ajoelho-me diante a eles...
Os encaro com um olhar firme...
Eles simplesmente me cheiram, sinto o salivar quente deles cair no chão...
Por que eles não acabam logo com isso?
Eu também quero um fim...
Só estava esperando uma oportunidade para que isso acontecesse...
Memórias mortas me vem á cabeça...
Lembro-me de quando ainda sorria, quando sentia o ar livre tocar-me...
Sentia a liberdade. Liberdade de respirar, olhar, pensar e andar sem ter nada nas costas para carregar...
Cai, e meu castigo foi levar até esse presente dia os animais os quais alimentei até então...
Hoje livrarei eles dessa maldição, e eles me livrarão da minha maldição...
A velocidade de um raio atingindo uma frágil arvore no meio do nada, foi a velocidade que eles destroçaram o meu corpo já sem força alguma para qualquer tipo de reação.
Os pequenos lobos que eu criei dentro de mim dando o meu melhor, foram os lobos que acabaram com o que tinha de um homem já morto e faminto por dentro também.
O que restou depois disso...
O silencio, o silencio que me calou por toda eternidade...



Nenhum comentário:

Postar um comentário