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sábado, 7 de abril de 2012



Mary...



Encostado na janela do meu quarto,escuto Pennyroyal Tea do Nirvana, vejo que muita coisa aconteceu até aquela presente data...
Preciso de álcool para me manter sóbrio, visões do passado se entrelaçam na minha mente...
Preciso me drogar para que elas não acabem com o que restou de mim...
Vivia essa vida sem passos retos, essa vida bandida que de alguma forma entrei...
Tudo foi se resumindo a bebidas, mulheres, noitadas e mais noitadas sem nenhum medo do perigo e é claro, a muito rock N’Roll baby...
Conheci pessoas piores do que eu, conheci pessoas medonhas e assustadoras a primeira vista...
Talvez tenha conhecido o próprio Lúcifer, talvez tenha conhecido o próprio Deus...
Pisei em chão sagrado, cuspi mostrando meu desprezo a qualquer crença que ousasse me prender...
Fui taxado como ser das trevas, como maligno, ou simplesmente como perdido...
Não ligo para o que todos falam...
Quero que eles morram lentamente, e eu ficarei rindo sobre a carnificina deles...
Não existia regras ou limites para os meus desejos...
Mary, esse era o nome dela...
Drogada maldita, conseguia ser pior do que eu mesmo em praticamente tudo...
Menos em abrir garrafas de cervejas apenas com a mão...
A conheci em um show do Slayer onde sai bastante surrado...
Tinha bebido e me drogado a cima da conta, e lá estava ela para me levantar do chão...
Com um velho e já bastante tragado Hollowood na boca e com uma rosa negra tatuada no pescoço...
Ela era bem exótica, me jogou um copo de vodka  no rosto como um “ Olá, meu nome é Mary “ jeito bem estranho de cumprimentar alguém...
Dias se passaram e fomos nos encontramos por acaso em diversas baladas e shows...
Talvez o deus do Rock esteja trabalhando para juntar duas almas condenadas ao calor eterno do inferno...
E acabamos sendo um casal de drogados e loucos...
Vivíamos como antes, sem limites, até que...
Até que ela veio a me deixar do mesmo jeito que me conheceu...
Me deixou repentinamente, quando eu olhava para o lado já não podia há vê- lá...
Não tinha mais graça em fazer o que fazia antes sem ela, eu já estava velho e a idade vem para atrapalhar nossas loucuras, por mais loucos que sejamos o nosso corpo vai perdendo vida com o passar do tempo...
Costelas doem, joelhos doem, tudo começa a doer com mais frequência...
Não, não sou velho...
Tenho meus 37 anos, 37 anos que valem por muitos 90 anos...
Vivi intensamente cada minuto que foi me dado, conheci a mulher que dividi muitas insanidades juntos...
Mas hoje estou aqui, debruçado na janela do meu quarto olhando um horizonte calmo e bonito...
Tomando minha cerveja e escutando meu velho disco do Nirvana...
As únicas coisas que sobraram daquele tempo de gloria...
Alias, sobrou outra coisa, as lembranças da minha doce Mary, ela ainda continua viva dentro de mim...
Aquele copo de vodka no rosto jamais será esquecido.

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